quarta-feira, 17 de junho de 2009

Espírito de tia...

Fiquei para tia, aos 13 anos, quando nasceu minha sobrinha. Desde então, assumi um lado tia que sempre me acompanha. A pequena e única sobrinha relutou muito em me chamar de tia, só assumiu o tratamento e seu posto de parentesco, após o nascimento da priminha que me elegeu como sua "tiá".
No início, sempre que alguém me chamava de tia, eu ficava super emocionada. Mas, sendo professora, acabei me acostumando com os pequenos me chamando de tia e ganhei vários "sobrinhos" postiços, digamos assim.
Mas, não é só título que me acompanha. Acredito ter o que podemos chamar de espírito de tia. Gosto muito de estar perto das crianças, recebendo e ofertando carinho, brincando com elas. Sou a babá-mor da família.
Engraçado foi o que aconteceu nesses dias. Estava, em minha cidade natal, numa festa junina. Resolvi levar uma priminha (aliás, filha de um primo) para brincar no pula-pula. Nem bem cheguei, um menininho pediu que eu arrumasse a calça dele, pois não estava conseguindo sozinho. Nem sei quem é o menino, mas, lá fui eu: ajoelhada no chão, arrumando a roupa do pequeno.
Esperando, na fila, a vez da minha pequena prima, uma menininha, que também não sei quem é, encostou-se em mim.
Emociona-me esse entrosamento, esse reconhecimento por parte dos pequenos. Reforça minha identidade de professora e me dá grandes momentos de alegria.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eu? Mãe???

Há quem diga que professor é um pouco pai e mãe dos alunos. Acredito que seja assim mesmo. Há momentos em que temos de dar carinho, apoio, ser tolerante, e outros em que temos que repreender, e até punir. Muitos alunos, num gesto falho, já me chamaram de mãe. Depois, mostraram-se envergonhados, sem jeito...
Mas, o que chama mais minha atenção é a preocupação que eles têm com o fato de eu não ter filhos, nem saber se os quero ter um dia. No dia das mães, a turma da 4ª série iniciou um interrogatório:
"Tia, você é casada?"
"Tem filhos?"
"Mas, vai ter, né, tia?"
Aí, um mais desavisado e sem muita noção, coitado, se propôs: "Posso ser o pai?" Acho que ele pensou que era brincadeira ou ficou com pena da pobre tia...
Mas, o mais engraçado foi a declaração de uma aluna da 5ª série que, do nada (como sempre são os comentários dos alunos), me solta: "Tia, sabe por que eu queria que você arrumasse um namorado logo?" (Eu não sabia e nem desconfiava dessa inquietação dela)
"Porque eu queria conhecer seu filhinho..."
Posso com uma coisa dessa? Querendo resolver logo o problema, um outro aluno sugere: "Mas, dá para ter filho, sem ter namorado" (Moderninho, não?)
Ao que minha preocupada e sonhadora aluna retruca: "Tadinha da tia..." (rsrs)
Meus alunos, não se preocupem!!! Enquanto não acho um pai à altura do meu filho tão sonhado por vocês, vou tendo um intensivão na escola mesmo. E olha, uma coisa eu garanto: vocês dão tanto trabalho quanto...

domingo, 7 de junho de 2009

Um buraquinho aqui dentro...

A ideia deste blog surgiu quando enviei um e-mail para uns amigos contando uma história passada com meus alunos da 7ª série (8º ano). Minha prima Talita respondeu, sugerindo que eu criasse um blog. Gostei da ideia. Então, em homenagem à uma aluna, conto o acontecimento motivador:
Os alunos apresentavam livros que haviam escolhido para ler. Uma aluna escolheu"Tudo sobre os garotos para as garotas"(ih, não lembro a autora, depois corrijo), um manual de instruções para as meninas. Um representante masculino ( que são raríssimos nesta turma) reclamou que deveria haver um parecido para os meninos, por que mulheres são muito complicadas. Nem é preciso dizer que isso deu "pano para manga". Em meio a tanta confusão e para acalmar os ânimos, a professora aqui soltou: "Ah, meninas, nós somos muito bobas. Falamos dos homens, mas os queremos por perto."
Fechando com chave de ouro, uma menina inteligente ( e que provavelmente conhecerá muitos garotos pela vida) sintetizou: "Sabe o que é, sora? É que sem eles, fica um buraco aqui dentro..."
Pois é, acho que o meu buraquinho irá continuar por aqui por um bom tempo...

Vocacionada da Educação

Um dia, conversava com o amigo Samuel, pelo msn, sobre o ofício de ser professora. Afinal, meus alunos com suas conquistas e seus problemas; as dificuldades de ser professora; as inúmeras cobranças e o pouco reconhecimento sempre estão presentes em minhas falas.
Depois de um tempo, o Samuel disse que sou uma "vocacionada da Educação". Gostei disso. Escolhi ser professora por gostar de estudar e de ensinar, mas principalmente, por gostar de gente e querer fazer, um pouco que seja, para melhorar a sociedade. Já fui muito sonhadora e sonhando, segui por esse caminho tão difícil e ao mesmo tempo, tão engrandecedor. Acredito que seja por isso, por ser vocacionada, que mesmo com tantas dificuldades, eu possa dizer que amo minha profissão, ou melhor, minha vocação, e também meus alunos, desde os mais aplicados aos mais rebeldes.