Há coisas que acontecem em nossas vidas que não têm explicação, que vão além da nossa capacidade de entendimento. Uma dessas coisas foi o sofrimento e a morte da Simone Barbosa.
Simone, 26 anos de doçura, de meiguice, de amizade, de fé em Deus e entrega a Ele. Quanta lição! Quanto nos ensinou através de sua maneira de enfrentar o sofrimento! Mesmo com toda dor, com todas as dificuldades, mesmo assim, sabia encontrar palavras de consolo, de incentivo. Pouco tempo após ter amputado o braço, disse com a maior fé e sinceridade: “Entregue-se a Deus. Quando nos entregamos a Ele, sentimos uma paz enorme.” Como uma pessoa que havia sido mutilada, conseguia falar em paz enorme? Só mesmo alguém que tivesse em contato intenso com Deus.
A beleza de sua voz não estava só no timbre e na afinação, mas na serenidade, na fé com que enfrentava as dificuldades, e principalmente, na força que encontrava para louvar seu Deus que tanto a acompanhou.
Difícil sentir a presença de Deus no seu sofrimento. Como entender que uma pessoa tão doce, tão amável pudesse sofrer tanto? Mas, além de sua doçura, havia uma força escondida que só poderia vir do Pai Eterno e Misericordioso que ela tanto amava e que agora a acolhe.
Pedimos muito um milagre. Ansiávamos por um milagre. Milagre que não retirasse seu braço, que a curasse da doença, que permitisse que ela vivesse muito e saudável. Mas não era esse milagre, assim como queríamos, que viria para diminuir seu sofrimento.
A própria vida foi um milagre. A fé, a força, a serenidade, a esperança, aí sim é que estava o milagre. A vontade imensa de viver, toda força na luta contra o câncer, a aceitação. A doença a aproximou mais de Deus. Sua postura perante à dor foi exemplo que nos fez refletir sobre nossas próprias vidas e, pensando nela, nós também tentamos nos aproximar de Deus.
Difícil é entender como pessoas tão iluminadas sofrem tanto e partem tão cedo. Mesmo sentindo que você, querida Simone, agora está em paz e livre do câncer, não há como impedir o choro, a nossa tristeza pela separação e a saudade.
Mas, pensando nisso, vem à mente uma música já cantada por você, em um momento especial, no Encontro de jovens:
“Abriu minha visão o jeito do amor (...) quando quer acontecer, derruba as barreiras. Para o amor não existem fronteiras. (...) Não tem hora de chegar e não vai embora. Chamou minha atenção a força do amor, que é livre pra voar, durar para sempre. Quer voar, navegar outros mares. Dá um tempo sem se ver, mas não se separa. A saudade vem, quando vê, não tem volta. (...)
Sei, não é questão de aceitar, se não sou mais um a negar. A gente não pode impedir, se a vida cansou de ensinar: sei que o amor nos dá asa, mas volta pra casa.”
Sua vida foi marcada pelo amor. O seu amor a Deus, às pessoas próximas, à vida, e também todo amor que recebeu em troca. Esse amor não morre, permanece na lembrança de todos que amaram você, aqui. Esse amor derruba as barreiras da separação, supera as dificuldades da ausência, mas não nos separará de você, que estará sempre em nossos corações. Ainda é muito difícil aceitar, mas você é um anjo, Simone. Foram as asas do seu amor que a trouxeram para perto de nós. Mas, volta pra casa. Volta para perto de Deus, que é o lugar onde pessoas iluminadas como você merecem estar.
Vá em paz!!!!
Nós amamos você!!!
domingo, 23 de agosto de 2009
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Muito bonito o texto, me arrepiei aqui! É uma pena que o assunto seja tão triste. Nunca perdi um amigo muito próximo, mas já perdi muitos familiares e seu que não é fácil. O importante é ter força e superar tudo, porque a vida continua. Todos vão sentir saudade, é inevitável; mas concerteza ela está em um lugar melhor.
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